Junho 2, 2026

Categorias de risco e Utilizações-Tipo em SCIE: guia para empresas

Categorias de risco e utilizações-tipo em SCIE: porque é que classificá-las bem muda tudo

Introdução

Na Segurança Contra Incêndio em Edifícios (SCIE), há uma decisão que condiciona praticamente tudo: a correta classificação da utilização-tipo e da categoria de risco do edifício ou recinto.

Pode parecer um detalhe técnico, mas não é. Esta classificação influencia os requisitos de projeto, as medidas de autoproteção, os sistemas de segurança exigidos, os procedimentos junto das entidades competentes, a periodicidade das inspeções e até os custos associados à conformidade legal.

Em Portugal, o Regime Jurídico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios organiza os edifícios e recintos em diferentes utilizações-tipo e categorias de risco, servindo de base à definição das exigências legais aplicáveis.

Neste artigo explicamos, de forma simples, o que são as utilizações-tipo e as categorias de risco em SCIE, porque são tão importantes e em que situações deve procurar apoio técnico especializado.

O que é a SCIE?

A Segurança Contra Incêndio em Edifícios reúne regras, procedimentos e medidas destinadas a reduzir a probabilidade de incêndio, limitar a sua propagação, facilitar a evacuação dos ocupantes e permitir a intervenção eficaz dos meios de socorro.

Estas regras aplicam-se a edifícios e recintos com diferentes características: habitação, comércio, serviços, indústria, escolas, unidades de saúde, parques de estacionamento, hotéis, lares, armazéns, edifícios administrativos, espaços culturais e muitos outros.

O objetivo é simples: proteger vidas, bens, atividade económica e património.

Os requisitos técnicos aplicáveis aos edifícios e recintos estão desenvolvidos no Regulamento Técnico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios, aprovado pela Portaria n.º 1532/2008.

Em Portugal, os procedimentos relacionados com a Segurança Contra Incêndio em Edifícios podem ser tratados através dos serviços de SCIE disponíveis no portal gov.pt, nomeadamente para edifícios e recintos enquadrados nas categorias de risco aplicáveis.

 

 

O que são utilizações-tipo em SCIE?

As utilizações-tipo, muitas vezes designadas por UT, correspondem à forma como um edifício ou recinto é utilizado. Em termos práticos, respondem à pergunta: “Que tipo de atividade decorre neste espaço?”

A classificação das categorias de risco deve ser feita de acordo com os critérios previstos na legislação e com o enquadramento técnico disponibilizado pela ANEPC, nomeadamente através da Nota Técnica n.º 06 sobre categorias de risco.

A classificação por utilização-tipo é essencial porque um edifício habitacional não apresenta os mesmos riscos que uma escola, um lar, uma fábrica, um armazém ou um parque de estacionamento. O número de ocupantes, a mobilidade das pessoas, a carga de incêndio, os horários de funcionamento e a complexidade da evacuação podem variar muito.

Exemplos comuns de utilizações-tipo incluem:

  • edifícios habitacionais;
  • parques de estacionamento;
  • edifícios administrativos;
  • estabelecimentos escolares;
  • hospitais, clínicas e lares;
  • hotéis e alojamentos;
  • espaços comerciais;
  • recintos de espetáculos;
  • museus, bibliotecas e arquivos;
  • edifícios industriais, oficinas e armazéns.

Em edifícios de utilização mista, pode existir mais do que uma utilização-tipo. Por exemplo, um edifício pode ter comércio no piso térreo, escritórios nos pisos intermédios e habitação nos pisos superiores. Nestes casos, a análise deve considerar cada utilização e a forma como interagem entre si.

Os requisitos técnicos aplicáveis aos edifícios e recintos estão desenvolvidos no Regulamento Técnico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios, aprovado pela Portaria n.º 1532/2008.

O que são categorias de risco em SCIE?

Depois de identificada a utilização-tipo, é necessário determinar a respetiva categoria de risco. Esta categoria traduz o grau de risco associado ao edifício, recinto ou fração.

Em SCIE, existem quatro categorias de risco:

  1. 1.ª categoria de risco — risco reduzido;
  2. 2.ª categoria de risco — risco moderado;
  3. 3.ª categoria de risco — risco elevado;
  4. 4.ª categoria de risco — risco muito elevado.

A categoria de risco depende de vários fatores, que podem incluir a altura do edifício, o efetivo previsto, a área, os pisos abaixo do plano de referência, a carga de incêndio, a existência de locais de risco acrescido e a natureza da atividade.

Quanto maior o risco, mais exigentes tendem a ser os requisitos aplicáveis.

Porque é que a classificação correta muda tudo?

Classificar corretamente uma utilização-tipo e a respetiva categoria de risco não é apenas cumprir uma formalidade. É a base para tomar decisões técnicas, legais e operacionais.

1. Define os requisitos técnicos aplicáveis

A classificação influencia as soluções de segurança necessárias, incluindo:

  • caminhos de evacuação;
  • sinalização de segurança;
  • iluminação de emergência;
  • meios de primeira intervenção;
  • sistemas automáticos de deteção de incêndio;
  • sistemas de desenfumagem;
  • compartimentação corta-fogo;
  • controlo de fumos;
  • acessibilidade para meios de socorro;
  • resistência ao fogo de elementos construtivos.

Uma categoria de risco superior pode exigir medidas mais robustas, maior detalhe técnico e uma abordagem mais exigente ao projeto.

2. Influencia o projeto de especialidade de SCIE

Em muitas operações urbanísticas, a SCIE tem impacto direto no projeto. A classificação errada pode originar soluções insuficientes ou sobredimensionadas.

Se o edifício for classificado abaixo do risco real, pode ficar sem medidas obrigatórias. Se for classificado acima do necessário, o promotor pode acabar por suportar custos evitáveis.

A correta classificação ajuda a equilibrar segurança, conformidade e racionalidade económica.

3. Determina as medidas de autoproteção necessárias

As Medidas de Autoproteção são procedimentos e documentos que asseguram a gestão da segurança durante a exploração do edifício. Podem incluir procedimentos de prevenção, procedimentos de emergência, plano de prevenção, plano de emergência interno, registos de segurança, formação e simulacros.

A utilização-tipo e a categoria de risco determinam o grau de exigência destas medidas.

Por exemplo, um pequeno estabelecimento com risco reduzido não terá, em regra, as mesmas obrigações que um edifício com elevado número de ocupantes, atividade industrial ou pessoas com mobilidade condicionada.

4. Afeta a entidade competente

Em Portugal, a entidade competente pode variar em função da categoria de risco. A 1.ª categoria de risco está associada à competência municipal, enquanto as 2.ª, 3.ª e 4.ª categorias envolvem a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Esta distinção é relevante para submissões, pedidos de parecer, vistorias, inspeções e acompanhamento de processos.

Uma classificação incorreta pode encaminhar o processo para a entidade errada, provocando atrasos e retrabalho.

5. Tem impacto em inspeções e responsabilidades

A categoria de risco também influencia a forma como o edifício deve ser acompanhado ao longo do tempo. A segurança contra incêndio não termina no projeto ou na obra: continua durante a utilização do edifício.

A manutenção dos equipamentos, a atualização dos registos, a formação das equipas, os simulacros e a verificação das condições de segurança são responsabilidades contínuas da entidade exploradora ou responsável.

Quando a categoria de risco é mal definida, todo este sistema de gestão pode ficar desalinhado.

 

 

Erros comuns na classificação de SCIE

A classificação de utilizações-tipo e categorias de risco exige conhecimento técnico e interpretação correta da legislação. Alguns erros são relativamente frequentes.

Confundir a atividade principal com atividades secundárias

Um edifício pode ter uma atividade predominante, mas incluir zonas com riscos diferentes. Por exemplo, um espaço administrativo pode ter arquivo, armazém, estacionamento ou zonas técnicas. Estes espaços não devem ser ignorados.

Tratar edifícios mistos como se tivessem uma única utilização

Edifícios com várias utilizações exigem uma análise mais cuidada. Uma loja, um restaurante, escritórios e habitação no mesmo imóvel podem implicar diferentes exigências de SCIE.

Subestimar o efetivo

O efetivo, ou número de ocupantes considerado, é um fator crítico em várias utilizações-tipo. Um cálculo incorreto pode comprometer a largura dos caminhos de evacuação, o número de saídas e outras medidas essenciais.

Ignorar alterações de uso

Mudar a utilização de um espaço pode alterar completamente o seu enquadramento em SCIE. Transformar um armazém em espaço comercial, um escritório em alojamento local ou uma loja em restauração pode exigir nova avaliação.

Não atualizar as medidas de autoproteção

Mesmo que o edifício tenha sido corretamente classificado no passado, alterações na ocupação, na atividade, na compartimentação ou nos equipamentos podem tornar a documentação existente desatualizada.

Exemplos práticos

As Medidas de Autoproteção são uma componente essencial da exploração segura dos edifícios, podendo envolver procedimentos de prevenção, resposta à emergência, formação, simulacros e registos de segurança. Em determinadas situações, pode ser necessário recorrer ao pedido de parecer a medidas de autoproteção.

Exemplo 1: armazém que passa a receber público

Um espaço inicialmente usado apenas para armazenamento pode passar a funcionar como showroom ou loja. Esta alteração pode modificar o efetivo, a utilização-tipo, os percursos de evacuação e os requisitos de segurança.

Exemplo 2: escritório com arquivo documental significativo

Um escritório pode parecer simples do ponto de vista de risco, mas a existência de grandes áreas de arquivo, equipamentos técnicos ou zonas de armazenamento pode alterar a análise.

Exemplo 3: edifício com comércio e habitação

Um edifício com loja no piso térreo e habitação nos pisos superiores exige atenção à separação entre utilizações, caminhos de evacuação, resistência ao fogo e acessos.

Exemplo 4: unidade com pessoas com mobilidade condicionada

Lares, unidades de saúde, creches e outros espaços com ocupantes vulneráveis exigem uma abordagem especialmente cuidada, porque a evacuação pode ser mais complexa.

 

 

Quando deve pedir apoio técnico?

Deve procurar apoio especializado sempre que:

  • vai construir, remodelar ou alterar um edifício;
  • pretende mudar a utilização de um espaço;
  • tem dúvidas sobre a categoria de risco;
  • precisa de medidas de autoproteção;
  • recebeu uma notificação ou pedido de correção;
  • vai preparar uma vistoria ou inspeção;
  • gere um edifício com várias utilizações;
  • tem equipamentos de SCIE sem manutenção atualizada;
  • não sabe se a documentação existente continua válida.

A classificação correta numa fase inicial evita custos, atrasos e incumprimentos. Mais importante ainda: garante que as medidas adotadas são adequadas ao risco real do edifício.

Como a Segeltec pode ajudar

A Segeltec apoia empresas, proprietários, gestores de edifícios e entidades exploradoras na análise e implementação de soluções de Segurança Contra Incêndio em Edifícios.

A nossa intervenção pode incluir:

  • análise da utilização-tipo;
  • determinação da categoria de risco;
  • avaliação das condições existentes;
  • apoio à preparação de medidas de autoproteção;
  • verificação de equipamentos e sistemas de SCIE;
  • apoio em processos de conformidade;
  • preparação para vistorias e inspeções;
  • aconselhamento técnico adaptado ao edifício e à atividade.

Cada edifício tem características próprias. Por isso, a abordagem correta não deve ser genérica: deve considerar a atividade, a ocupação, a configuração do espaço, os equipamentos existentes e as obrigações legais aplicáveis.

 

 

Conclusão

As categorias de risco e as Utilizações-Tipo são a base da Segurança Contra Incêndio em Edifícios em Portugal. Classificá-las bem é essencial para definir corretamente os requisitos técnicos, as medidas de autoproteção, os procedimentos administrativos e as responsabilidades durante a exploração do edifício.

Uma classificação errada pode gerar custos desnecessários, atrasos, incumprimentos e riscos evitáveis. Uma classificação bem feita permite tomar decisões mais seguras, mais eficientes e mais alinhadas com a legislação portuguesa.

Se tem dúvidas sobre a classificação SCIE do seu edifício, recinto ou fração, fale com a Segeltec. Uma avaliação técnica adequada pode fazer toda a diferença na segurança, na conformidade e na continuidade da sua atividade.

Saiba mais através dos nossos contatos:
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